segunda-feira, 16 de julho de 2012

0267 - Rússia aprova lei que classifica ONGs de ‘agentes estrangeiros’



A câmara baixa do Parlamento russo (Duma) adotou nesta sexta-feira em terceira e última leitura uma controversa lei que classifica de “agentes estrangeiros” e coloca sob forte controle as organizações não governamentais (ONGs) que possuam financiamento externo e atividade “política”.

O projeto de lei apresentado pelo partido Rússia Unida (no poder), votado em primeira leitura há uma semana e colocado urgentemente na ordem do dia da Duma, apesar dos protestos dos defensores das liberdades, da oposição liberal e dos juristas, foi adotado por 374 votos a favor, três contra e uma abstenção. O texto prevê um registro separado para as ONGs que possuam financiamento externo e participem de alguma “atividade política” no território russo.

O Rússia Unida tem a maioria absoluta na câmara, com 238 dos 450 assentos da Duma. Tanto este partido, liderado pelo primeiro-ministro Dimitri Medvedev, quanto o populista Partido Liberal-Democrata e o Partido Comunista, oposto a toda “ingerência” ocidental, anunciaram que votariam a favor do texto.


Opinião deste blog: - Gostei da ideia!!! Já passou da hora de darmos um "chega pra lá" nessas ONGs internacionais que vivem se intrometendo nos assuntos internos do nosso país!

Acorda Brasil !!! Pau neles !!!

Maurício Porto,
Rio de janeiro, 16 de julho de 2012.



domingo, 15 de julho de 2012

0266 - A erradicação dos lixões e o “urubu sustentável”

URUBU SUSTENTÁVEL

Por: Editoria do Alerta em Rede
13 de julho de 2012

Caso prevaleça o atual ritmo de execução do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a meta de se eliminarem todos os lixões do país não será atingida até muito além do ano estabelecido de 2014. Especialistas do setor destacam que os entraves burocráticos, a falta de diretrizes claramente definidas e o pouco comprometimento político têm obstaculizado o avanço em um dos mais sérios problemas ambientais do País – que, curiosamente, não recebe o devido destaque na agenda dos principais grupos ambientalistas.
Com isto, as colônias de urubus continuarão sendo os melhores amigos dos ecossistemas nacionais, responsabilizando-se por grande parte da eliminação dos resíduos biológicos dispensados nos lixões.

Lançado em outubro de 2010, o PNRS ainda se encontra em estado embrionário, mesmo tendo se passado quase dois anos. Segundo reportagem do Valor Econômico (29-30/06/2012), de 2002 até o fim de maio deste ano, o governo federal investiu apenas R$ 117,5 milhões para projetos de resíduos sólidos – valor que representa menos de 1% dos R$ 18,5 bilhões destinados pela Caixa Econômica Federal (CEF) para investimentos no setor de saneamento ambiental.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), Clóvis Benvenuto, a maior parte das prefeituras precisará de apoio do governo federal para custear projetos de resíduos sólidos. O especialista aponta, também, que será necessário que a população comece a pagar pelo serviço de coleta de lixo nos próximos anos, e propôs “a alternativa mais barata, que é o aterro sanitário”, em vez de opções mais onerosas, como a geração de energia a partir do lixo.

Outro especialista, Diógenes Del Bel, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), considera que o prazo para a erradicação dos lixões já está muito apertado. Todavia, considera ainda ser “possível atingir essa meta, mas precisa entrar na prioridade dos governos e contar com a ajuda da iniciativa privada por meio de concessões e parcerias público-privadas”.

Por sua vez, Rogério Tavares, diretor-executivo de Saneamento e Infraestrutura da CEF, informou que a carteira de financiamento do banco para projetos de resíduos sólidos atingiu mais de R$1 bilhão, em contratos com dez municípios. Deste valor, R$ 400 milhões foram destinados a projetos localizados na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e em três municípios vizinhos. Segundo Tavares. a CEF quer “apoiar o consórcio de municípios para adotar soluções integradas que viabilizem os aterros em pequenas cidades”.

Todavia, fica evidente o descaso com a questão dos lixões, fato que revela a questionável orientação das autoridades e de grande parte da população brasileira em relação às questões ambientais. Ao mesmo tempo em que se observa esta falta de comprometimento com a construção de soluções menos primitivas que os lixões para o tratamento adequado do lixo, formuladores de políticas públicas têm aprovado recursos para projetos de combate ao suposto aquecimento global e incentivos de toda ordem às fontes energéticas “renováveis”, principalmente, eólicas e solares. Vê-se, portanto, que a falta de dinheiro é um mal seletivo, que só afeta os projetos vistos com menor importância pelos planejadores públicos.Se persistir o descaso com as verdadeiras emergências ambientais e sanitárias do País, nos restará torcer para que a natureza continue fazendo o seu papel, com o programa “urubu sustentável”.



Fonte: Alerta em Rede



0265 - MOLION NO CANAL LIVRE DEPOIS DA RIO+20.

PROFESSOR LUIZ CARLOS BALDICERO MOLION
Caros leitores,

A Rio+20 terminou na sexta-feira dia 22 de junho de 2012. No domingo, dia 24 de junho, a Rede Band convidou novamente o Professor Luiz Carlos Molion para o programa Canal Livre.


Ao contrário da Rede Globo / WWF, a Band tem apresentado um comportamento exemplar e realmente democrático abrindo espaços para os verdadeiros cientistas.


A Globo / WWF, como sempre, continua no seu noticiário e em seus programas "especiais", espalhando o alarmismo, as mentiras e o Terrorismo Climático do IPCC e dos seus asseclas: os "crentes" do IPCC e "amiguinhos" do WWF (ver aqui). Afinal, o sr. José Roberto Marinho e o crente José Goldemberg são membros do Conselho Consultivo do WWF-Brasil.


Fazer o que? Mudar de canal é claro!!! De igreja e crentes, já basta a do Bispo Macedo!!!


Maurício Porto,
Rio de Janeiro, 15 de julho de 2012. 
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Fonte: YouTube / Band

sexta-feira, 13 de julho de 2012

0264 - TERRORISMO SOBRE O CLIMA É AMEAÇA À SOBERANIA NACIONAL", DIZ CIENTISTA

PROFESSOR LUIZ CARLOS BALDICERO MOLION

Por Sabine Righetti
27 de junho de 2012


Em meio às preparações para a recepção de 45 mil pessoas para a Rio+20, um grupo de cientistas pediu que a presidente Dilma Rousseff revertesse em saneamento básico o que estava gastando com o aquecimento global.

De acordo com os 18 pesquisadores que assinaram uma carta enviada à presidência em maio, pouco antes da cúpula da ONU, o aquecimento global não é causado pelo homem. Eles estão no grupo dos "céticos do clima".

A Folha conversou com um dos responsáveis pelo documento, o físico e meteorologista Luiz Carlos Baldicero Molion, da Ufal (Universidade Federal de Alagoas).

Há décadas, Molion nada contra a corrente dos pesquisadores que revisam os relatórios do IPCC (o painel do clima da ONU) e que publicam nas principais revistas científicas. São os "aquecimentistas", como diz Molion. Acompanhe a entrevista.

Folha - Como o senhor começou a trabalhar para mostrar que aquecimento global não é resultado da ação do homem?

Luiz Carlos Baldicero Molion - Eu estou nessa desde a década de 1970, quando começaram a falar que o aquecimento do planeta era resultado da queima de combustíveis fósseis. Isso não era verdade. Quando o IPCC lançou seu primeiro relatório [em 1990], nós começamos a comprovar que o aquecimento era causado pelo aumento da atividade solar e pela falta de erupção vulcânica dentre 1912 a 1960 [as erupções reduzem a temperatura da Terra]. Mas, desde então, o terrorismo climático aumentou.

Os cientistas "céticos" reclamam de dificuldades para obter recursos para pesquisas. O senhor já viveu isso?

Luiz Carlos Baldicero Molion - Eu tenho hoje cerca de R$ 3,2 milhões em projetos de pesquisa sobre eventos extremos, monitoramento de vazão de rio e desenvolvimento regional. Mas não posso usar a palavra "aquecimento global", senão o projeto não é aprovado. Na área de aquecimento global, eu nem me arrisco a tentar publicar os meus trabalhos. Os artigos têm de ser "revestidos" por outras temáticas.

Mas, se o senhor submeter um artigo científico questionando o aquecimento global pelo homem, ele será negado?

Luiz Carlos Baldicero Molion - Sim. A maioria dos pareceristas é a favor do aquecimento global. Então, será negado. Revistas como a "Science" só publicam artigos sobre a ação do homem no clima. Mas se um trabalho em outra área, como o monitoramento de eventos extremos, cair nas mãos de um "aquecimentista", será aprovado.

Por que decidiram escrever uma carta para a Dilma?

Luiz Carlos Baldicero Molion - Existia na pauta [no documento base] da Rio+20 coisas esdrúxulas como "a temperatura do planeta não pode aumentar mais de 2 graus". Então nós tivemos a ideia de escrever essa carta. Temos informações de que ela leu e disse "interessante, porém muito tarde". É uma pessoa que tem acesso a ela, mas não podemos revelar quem é.

A carta afirma que não é preciso descarbonizar. O que precisaria ser feito então?

Luiz Carlos Baldicero Molion - Há registros geológicos ou paleoclimáticos que mostram que quando as plantas surgiram havia uma concentração muito maior de CO2 do que existe agora. Já mostramos que com mais CO2 as plantas aumentam a sua produtividade. Então falar em descarbonização é absolutamente ridículo. Isso não quer dizer que os combustíveis fósseis não tenham problemas. O enxofre que está no carvão mineral e no petróleo é altamente tóxico.

Mas a crise ambiental trata também da escassez de recursos, como a água...

Luiz Carlos Baldicero Molion O petróleo não vai acabar. Há reservatórios de petróleo como o pré-sal em todo o planeta. Mas extrair será caro. E a água não será um problema do século 21 porque 71% do planeta é formado por água. O que vai acontecer é que, se poluirmos a água, ela ficará mais cara. Mas não vai faltar.

O que estaria por trás do IPCC?

Luiz Carlos Baldicero Molion - Há quem diga que a ideia da ONU é ter uma governança global. Não duvido.

O que o senhor achou dos resultados da Rio+20?

Luiz Carlos Baldicero Molion - Os artigos sobre compromissos, metas e definições foram todos retirados. Ficamos com os parágrafos que repetem as mesmas coisas desde o relatório de Estocolmo, de 1972. Porém, houve coisas interessantes. A tentativa de transformar o Pnuma [programa ambiental da ONU] em uma agência foi vetada. Se passasse, os países perderiam a sua soberania. Se você resolve fazer uma hidrelétrica como Belo Monte, a agência da ONU poderia vetar. Seria um problema sério para os países em desenvolvimento. Mas a ONU não desistirá.



 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

0263 - PALESTRA DO PROFESSOR RICARDO FELÍCIO NO CLUBE DE ENGENHARIA DO RIO DE JANEIRO: "VERDADES E MENTIRAS SOBRE O AQUECIMENTO GLOBAL" - 2/2

PROFESSOR RICARDO FELÍCIO
Caros leitores,

Dando prosseguimento a postagem anterior, a de número 0262, apresento aqui os 6 vídeos restantes da palestra do professor Doutor Ricardo Felício: "Verdades e Mentiras sobre o Aquecimento Global", proferida no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro no dia 22 de maio de 2012.


Estes 6 vídeos finais referem-se ao debate com o público presente à palestra.


Maurício Porto,
Rio de Janeiro de 2012.  

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Assistam aqui a palestra completa do professor Ricardo Felício, apresentada na postagem 0262.



0262 - PALESTRA DO PROFESSOR RICARDO FELÍCIO NO CLUBE DE ENGENHARIA DO RIO DE JANEIRO: "VERDADES E MENTIRAS SOBRE O AQUECIMENTO GLOBAL" - 1/2

PROFESSOR RICARDO FELÍCIO

Caros Leitores,

Aqui está a palestra "Verdades e Mentiras sobre o Aquecimento Global", proferida pelo professor Doutor Ricardo Felício, no dia 22 de maio de 2012, no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.

A palestra está dividida em 12 vídeos, com uma duração média de 10 minutos cada. Além dos vídeos da palestra propriamente dita, existem mais 6 vídeos da parte correspondente ao debate final.


Resolvi dividir estes 18 vídeos em 2 postagens: Nesta postagem estão os 12 vídeos da palestra e na próxima publicarei a série do debate.

Maurício Porto,
Rio de Janeiro, 11 de julho de 2012.

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sábado, 7 de julho de 2012

0261 - Mapeados imensos aquíferos de água doce no Saara e em toda África

Por Luís Dufaur
10 de junho de 2012


Entre os medos espalhados por um falso ecologismo está o do fim da água doce e o de uma desertificação planetária.
De acordo com a sua patranha propagandística, o mundo, inclusive a Amazônia, estariam a caminho de virar um imenso Saara, por culpa da ‘infausta’ obra do homem!

Descendo, contudo, à realidade, recente mapa geológico elaborado por cientistas britânicos mostra que a África descansa sobre uma “descomunal reserva de água subterrânea” cujos maiores aquíferos ficariam no norte, quer dizer, debaixo do Saara, informou o diário “ABC” de Madri.

O volume total de água sob a superfície atingiria meio milhão de quilômetros cúbicos ou 500 quatrilhões de litros, quantidade suficiente para alimentar a cidade de São Paulo durante 4.453 anos sem levar em conta a reposição do aquífero.
ÁGUA DAS CATARATAS VICTORIA PARECEM QUASE NADA
AO LADO DOS AQUÍFEROS MAPEADOS
Tal volume equivale a vinte vezes as precipitações anuais em todo o continente africano e é cem vezes maior de tudo o que se conhece na superfície africana.

Alguns poços já podem ser explorados com mínimo investimento, pois a água se encontra a apenas 25 metros de profundidade.

A exceção é a Líbia, onde os aquíferos se encontram a partir de 250 metros. Neles seria necessária uma infraestrutura mais cara e complexa.

Cerca da metade dessas colossais reservas encontram-se na Líbia, na Argélia e no Chade, coincidindo com boa parte do deserto do Saara, explicou Alan MacDonald, o geólogo que liderou a investigação.

“Estas grandes jazidas de água não só poderiam aliviar a situação de mais de 300 milhões de africanos que agora não dispõem de água potável, mas também melhorar a produtividade das plantações”, disse o especialista do instituto científico British Geological Survey.

Download trabalho completo AQUI.
O trabalho final foi publicado com o título “Quantitative maps of groundwater resources in Africa” em “Environmental Research Letters”.
Ver PDF AQUI.

Participaram do trabalho especialistas do University College de Londres e se tratou da primeira investigação de todas as reservas de águas subterrâneas mapeadas do continente.

Os especialistas aproveitaram também os planos hidrológicos elaborados por diversos países e os resultados de 283 estudos regionais prévios.
300 MILHÕES DE AFRICANOS PODERÃO TER RESOLVIDA
A FALTA DE ÁGUA POTÁVEL E PARA A IRRIGAÇÃO
No norte da África – a região desértica do continente – os depósitos de água têm uma altura de 75 metros e encontram-se protegidos por camadas rochosas de grande resistência, como o granito.

Esses aquíferos não acumulam água de chuva filtrada através da terra, mas remontam a cerca de 5.000 anos, época em que o Saara era formado por hortos, com numerosos lagos e vegetação de savana.

Os aquíferos do Saara não são os únicos na Africa. Os geólogos acharam grandes jazidas na costa da Mauritânia, do Senegal, da Gâmbia, em parte da Guiné-Bissau e do Congo, bem como na região partilhada entre Zâmbia, Angola, Namíbia e Botswana.

“No Chifre da África há aquíferos menores, mas em quantidade suficiente para o consumo humano e não seria caro explorá-los por meio de poços. Além do mais, não seria necessário investir no tratamento da água, porque sua qualidade é muito boa”, esclareceu MacDonald.

O especialista observou que embora esses sistemas possam sustentar 300 milhões de pessoas, seria prudente explorá-los com certos limites. “Na maioria da África as precipitações não são suficientes para recompor os aquíferos, por isso eu recomendaria não tirar uma quantidade de água maior que a recarregada a cada ano pela chuva”, acrescentou.

Trata-se de um conselho de bom senso palmar, o qual falta ao ambientalismo catastrofista (que talvez finja não possuí-lo).


terça-feira, 3 de julho de 2012

0260 - “Não existe Efeito-Estufa”, diz Ricardo Felício

A TERRA NÃO ESTÁ DENTRO DE UMA CASA DE VIDRO

A terra está dentro de uma estufa de vidro? Sem dinâmica atmosférica? Sem perturbações, sem ciclos biogeoquímicos? Sem movimentos de massas de ar? A ideia da estufa (greenhouse efect) é uma simplificação que distorce a realidade. Propagando erros por onde passa. A afirmação famosa de Ricardo Felício “não há efeito estufa” é comentada por ele mesmo em entrevista dada a Agência de Notícias Universitárias. Mais uma vez derrubando mitos.


São Paulo (AUN – USP) – Com essa frase, um dos cientistas mais polêmicos do País põe em dúvida a base de todas as discussões climáticas das últimas décadas. Formado em Ciências Atmosféricas pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e doutor em Geografia Física pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Ricardo Felício afirma ser discriminado e censurado dentro da própria Universidade devido a suas ideias. “Sou o único professor da USP que não tem computador”, declara. “Tudo aqui eu compro com o meu dinheiro.”

Segundo Felício, todas as teorias do aquecimento global seriam provenientes de modelos numéricos no computador, os quais simulam as condições naturais. O professor afirma que esses modelos não representam fielmente a realidade, pois não simulam o Sol e a atmosfera, apenas os gases do Efeito Estufa, cuja existência ele nega.

Seu maior argumento baseia-se na relativa raridade do CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico), suposto maior vilão na luta contra o aquecimento. Um dos chamados gases traços (nome dado aos menos abundantes), ele apresenta uma concentração aproximada de 0,033% na atmosfera. Segundo o cientista, essa baixa concentração o impede de exercer grande influência climática. Felício contesta a própria idéia de que o dióxido de carbono absorve os raios infravermelhos emitidos da superfície da Terra e reemite parte deles, já que as moléculas do gás se movem, gastando a energia absorvida e transferindo-a aos elementos mais abundantes, como o nitrogênio e o oxigênio, com os quais colidem durante a movimentação. Além do mais, a reemissão se daria para todos os lados, sendo a superfície terrestre apenas um dos alvos. “Isso se o vapor de água, que pega quase tudo [a energia], deixasse”, acrescenta.

Segundo o pesquisador, o que mantém a temperatura da Terra amena não são os gases do Efeito Estufa, mas a atmosfera, que impede mudanças bruscas e violentas baseadas na variação da radiação solar. Para ilustrar o conceito, cita a Lua, que não tem atmosfera e, por isso, apresenta temperatura altamente instável, em torno de 150°C durante o dia e -130°C, à noite. Felício atribui também ao vapor d’água grande influência sobre o clima, muito maior que a do gás carbônico. Segundo ele, entre 25% e 33,33% das trocas de energia terrestres são controladas pelas nuvens.

Uma das maiores evidências que apresenta contra o papel do gás carbônico no aquecimento é o fato de que, durante as duas últimas Eras Glaciais, sua concentração era dez vezes maior que a de hoje. Além disso, ele afirma que a atividade humana responde por cerca de 2% do CO2 do planeta, muito pouco para exercer algum impacto significativo.

Felício desacredita também os dados usados pelo IPCC para provar o aumento da concentração de gás carbônico, vindos, em grande parte, do observatório havaiano de Mauna Loa, próximo ao vulcão homônimo. “Atualmente a concentração de CO2 na atmosfera é a mais baixa da história”, diz. “Oitenta e três por cento dos dados então contaminados pelo vulcão.” Ele vai mais longe e afirma que, em 1820, medições já apontavam valores de 450 ppm (partes por milhão) de CO2, muito antes da proliferação do sistema industrial contemporâneo. Segundo o cientista, para se esquivar disso, “o IPCC afirma que o método de Pettenkofer [usado nessas medições] não vale mais”, mas sem explicar por que o teriam abandonado ou ainda por que o retomaram nas medições atuais, depois de julgá-lo inválido.

O pesquisador aponta equívocos inclusive no trabalho do cientista sueco Svante August Arrhenius, no século 19, para calcular a influência do Efeito Estufa. Arrhenius foi um dos primeiros a responsabilizar o fenômeno pela regulação da temperatura terrestre e, em 1896, afirmou que, sem ele, nosso planeta apresentaria uma temperatura média de -18°C. Porém, segundo Felício, a enorme discrepância entre esse valor e a temperatura média da Lua, é sinal claro de falha nos cálculos. “Lua e Terra são objetos astronomicamente muito próximos”, aponta. Arrhenius, ao usar em suas contas, uma fórmula criada por Stefan-Boltzmann, teria cometido um erro básico ao calcular a raiz quarta da média térmica. “Ele tirou todas essas incidências de energia, fez a somatória, depois, tirou a média e jogou na equação”, explica. Felício diz que, em vez disso, Arrhenius deveria ter tirado a raiz quarta de cada uma das medições, para, depois, calcular a média. “Esse projeto só foi recalculado agora, em 1995”, reporta. “E, aí, chegamos à temperatura efetiva da Terra de -129°C”. Isso, sem a atmosfera.

Outro ponto polêmico de suas teorias diz respeito à deterioração da camada de ozônio, a qual, afirma, sequer existe. Ele define o ozônio como um material altamente reativo, uma forma transitória do oxigênio que depende do Sol para manter-se estável. Portanto, a quantidade de ozônio na atmosfera está em constante alteração e não pode ser medida efetivamente. Por isso, a camada some nos meses de inverno, quando a Antártica (local onde se localizou o atual buraco) não recebe luz solar.

De onde vem todo o apoio recebido por essas teorias, então? Na opinião do pesquisador, do interesse dos países desenvolvidos em retardar o avanço das nações pobres, forçando a adoção de métodos de produção mais caros. “Desenvolvimento sustentável, na verdade, é desenvolvimento zero”, ataca.



Por Fernando de Oliveira
27/06/2012

Fonte: FAKECLIMATE


Caros leitores,

Eu recomendo a todos o excelente blog FAKECLIMATE.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

0259 - O VELHO-NEO-COLONIALISMO: A FACE SOMBRIA E VERDE DO ECO-IMPERIALISMO EM MOÇAMBIQUE.



Comércio de carbono e o mecanismo REDD+ ameaçam a produção alimentar e a soberania dos povos africanos.

Camponeses de Moçambique “cultivam” carbono para os poluidores

CAMPONÊS CUIDA DA FLORESTA EM NHAMBITA / FOTO AFRICA NEWS
A produção alimentar e a soberania dos povos africanos correm o risco de estar seriamente comprometidas devido a implementação de projetos de plantio e conservação de árvores para a captura de carbono e a chamada Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal Plus (REDD+). Tais projetos poderão conduzir o continente a graves situações de insegurança alimentar e resultar na perda da posse de terra e do controle de recursos florestais por parte de camponeses de África.

Em Moçambique, esse cenário não vai demorar a se concretizar, uma vez que o país ofereceu seu território para servir de “modelo” para projetos de captura de carbono e para a REDD +.

Ao cair da tarde, Albertina Francisco*, camponesa da comunidade de Nhambita, na província de Sofala, em Moçambique, regressa à sua casa, cansada, depois de mais um dia de atividade em sua machamba [palavra usada em Moçambique para dizer roça]. Além de tomar conta do milho, mapira (uma espécie de sorgo) e mandioca que cultiva, Albertina passou a ter uma tarefa a mais: cuidar das árvores que plantou há alguns anos atrás para garantir que no final do ano não seja penalizada pela Envirotrade, a empresa com a qual tem um contrato de provisão de carbono. É que Albertina deve, por obrigação, evitar a morte das plantas e garantir um bom desenvolvimento delas de modo que, pelo menos 85% sobrevivam.

“Além do milho e da mapira, agora tenho também que ver as árvores, para não morrerem. Plantei muitas árvores e não é fácil controlar todas”, disse Albertina que visita a sua roça duas vezes ao dia.

Como Albertina, outros 1.400 camponeses de Nhambita e outras comunidades do posto administrativo de Púngue, em Sofala, foram contratados para plantar e cuidar de árvores em suas terras. “Quando chegaram, disseram que o projeto era bom, porque ao plantar as árvores receberíamos dinheiro para combater a pobreza e seríamos donos [das árvores] mesmo depois do projeto terminar”, conta um camponês de Nhambita.

O projeto chama-se “Nhambita Community Carbon Project”. O objetivo da Envirotrade é capturar carbono a partir do agroflorestamento, comercializar os créditos de carbono no mercado voluntário - neste momento, Europa e Estados Unidos. Comprando créditos de carbono, as empresas de países industrializados podem “vender” uma boa imagem aos seus clientes, limpar sua consciência e continuar a contaminação do planeta. Com a implementação do REDD+ e a compra dos créditos de carbono pretende-se que países ricos continuem a emitir gases do efeito estufa, desde que financiem projetos de captura de carbono em outros lugares, geralmente em países do sul.

SUPERVISOR TÉCNICO DA ENVIROTRADE MOSTRA ÁREA PROTEGIDA
FOTO / AFRICA NEWS

Com esse projeto, a Envirotrade diz estar também contribuindo para diminuir a pobreza das populações.

Para além do uso de terras para o plantio de árvores (gliricidia, faidherbia, cajueiros, mangueiras, espécies madeireiras), as comunidades são igualmente chamadas a proteger e patrulhar uma demarcada área de pouco mais de 10 mil hectares, dos quais a Envirotrade também comercializa créditos de carbono através do mecanismo REDD+.

Os serviços de plantio, conservação e proteção das florestas são regidos por um contrato entre a Envirotrade e os camponeses. O contrato é por tempo determinado e tem a duração de apenas sete anos. Contudo, de acordo com as cláusulas do contrato, o produtor [camponês] tem a obrigação de plantar e cuidar das árvores e receberá um valor anual que varia em função do sistema escolhido e da extensão da terra usada. Após sete anos o pagamento cessa, mas a obrigação de cuidar permanece. “É obrigação do camponês continuar a cuidar das plantas que lhe pertencem, mesmo depois dos sete anos da vigência deste contrato”, determina uma das alíneas da cláusula sobre as obrigações do produtor.



De acordo com a Envirotrade, uma árvore captura carbono por um período de entre 50 a 100 anos. A obrigação de cuidar das plantas e florestas pelos camponeses passa, automaticamente, a ser multigeracional. “Se um camponês perde a vida dentro do período de vigência do contrato, este passa para os legítimos/legais herdeiros [filhos] com todos os direitos, mas também obrigações”, esclarece António Serra, Diretor Nacional da Envirotrade. 


Destaque-se que os contratos que regem a atividade não trazem capítulo sobre direitos dos camponeses.


APOIO DA COMISSÃO EUROPÉIA AO PROJETO DO ENVIROTRADE.
FOTO / AFRICA / NEWS

Nhambita é uma comunidade do distrito de Gorongosa, no posto administrativo de Púngue, centro de Moçambique. É rico em biodiversidade e ostenta uma vegetação e riqueza florestal de se cobiçar. A Comissão Europeia financiou a Envirotrade do início do projeto, em 2003, até 2008 com cerca de 1500 mil euros para atividades de pesquisa e experimentação em Nhambita. A Comissão Europeia cortou o financiamento e uma das razões foi por ter constatado irregularidades na metodologia proposta para a medição do carbono.
O que o camponês ganha no negócio

De acordo com a Envirotrade, os seus projetos têm por objetivo aliviar a pobreza das comunidades, proporcionar desenvolvimento sustentável e conservar a biodiversidade. “É uma nova forma de fazer negócio”, afirma a empresa no seu website, que acredita oferecer um novo modo de vida para indivíduos e comunidades.

Um contrato de um camponês que tivemos acesso estabelece que, a título de prestação de serviço, ele faça o plantio de árvores numa área total de 0,22 hectares (22 metros por 22), no seu quintal, para receber um valor total de 3.215 meticais [moeda oficial de Moçambique], o que corresponde a 128 dólares, para os sete anos de duração do contrato. Para ganhar dinheiro suficiente e aliviar a pobreza, este camponês precisaria de muito mais hectares, diversificação de sistemas e plantar muito mais árvores. O que se verifica praticamente impossível.

O sistema mais pago pela Envirotrade denomina-se “plantação florestal” e pode pagar ao produtor cerca de 17.500 Meticais ( 670 dólares) divididos por sete anos.

Estes valores são referentes a um hectare, ou seja, o valor pode ser mais alto ou mais baixo dependendo do tamanho da área. Os camponeses em Nhambita têm uma área média de um hectare por família. “Um camponês que tenha 1 hectare pode, em um ano, assinar um contrato com o sistema de bordadura válido por sete anos, no ano seguinte, na mesma área, assinar um contrato de coassociação para sete anos e, no terceiro, assinar um contrato de sete anos para o sistema de quintal. Assim, esse produtor ficará ligado ao projeto por muito tempo”, explicou Antônio Serra, Diretor Nacional da Envirotrade em Moçambique.

Mas não se engane quem pensar que com REDD+ e o plantio de árvores vai ficar rico: “O negócio de carbono não é para tornar ninguém (camponeses) rico. O próprio mercado mostra que tem muitos custos. Não vai tornar as comunidades ricas. As pessoas precisam ter outras formas de rendimento”, disse em entrevista Aristides Muhate, gestor de carbono da Envirotrade. A empresa parou de emitir novos contratos há três anos, devido a problemas financeiros.

Soberania alimentar em perigo

É importante destacar que a dedicação por esses serviços poderá aumentar a insegurança alimentar da comunidade e das famílias, se olharmos para o tempo e a dimensão da área que o camponês precisa para plantar uma quantidade de árvores que lhe possibilite ganhar mais dinheiro. Isso levará o camponês a “cultivar carbono” no lugar de culturas alimentares.

Por outro lado, “o enfoque nos valores econômicos da conservação das florestas comunitárias, promovida pela Envirotrade, poderá tornar os valores culturais, espirituais e biológicos menos importantes, uma vez que as comunidades sempre souberam conservar as florestas por gerações e gerações”, diz um estudo de Jovanka Spiric, que investigou os impactos socioeconômicos do esquema REDD implementado em Nhambita.

Existe um número considerável de camponeses que abandonaram a roça e se dedicam em tempo integral ao aceiro e patrulha as florestas da área REDD+.

Gabriel Langa*, pai de quatro filhos e com duas esposas, é chefe do grupo que aceira e patrulha o bloco dois, uma área de REDD+ “protegida” na zona de Bué Maria, em Púngue. Antes cultivava para alimentar a família.

“Agora a atividade principal é o aceiro. Não tenho tempo para ir à machamba”, disse Langa.

Langa vai ganhar 8.845 Meticais (340 dólares) pela fase do aceiro da área “conservada” e dividi-los pelo o grupo (de quatro membros) que chefia.

As florestas nunca estiveram em risco de desaparecer...

Para a Envirotrade, a zona tampão do parque Nacional de Gorongosa], onde se encontra a comunidade de Nhambita, estava em risco de desaparecer devido ao abate massivo de árvores para carvão e queimadas descontroladas.

O comitê de Gestão dos Recursos Naturais da localidade de Púngue, que funciona a partir de Nhambita, em Gorongosa, estabelecido antes da chegada da Envirotrade, junto com os líderes comunitários, desmente essa teoria e afirma que sempre soube cuidar e conservar as florestas e a terra na localidade.

“A comunidade não tinha nenhum problema e sempre soube gerir os recursos. O estabelecimento do Comitê de Gestão, em 2011, veio a reforçar essa capacidade, porque tivemos treinamento para isso”, diz Francisco Samajo, presidente do referido comitê, que acrescenta que “isso é o que provavelmente trouxe a Envirotrade para cá”.

Aristides Muhate, da Envirotrade, reage: “Às vezes, as pessoas querem impor o seu mérito acima de tudo. Todo mundo sabe que essa zona seria hoje de licenciamento para corte ilegal de madeira. Ele [o chefe do comitê de gestão dos recursos] não teria dinheiro para fazer o patrulhamento que ele faz”.
A Envirotrade financia o comitê de gestão dos recursos naturais para esta, por sua vez, pagar fiscais para patrulhar as florestas e “defendê-las” contra membros da mesma comunidade.

Embora os camponeses afirmem ter benefícios de alguma forma com o projeto da Envirotrade (árvores de fruta, algum dinheiro anualmente, posto de saúde, transporte em caso de doença), parece não haver consenso em admitir que as comunidades eram muito pobres e que a gestão de suas florestas e terras era deficiente.

Outro camponês de Nhambita, Raimundo Eduardo, afirmou que nunca se considerou pobre, porque, segundo ele “tenho machamba e sempre trabalhei”.

Abandono do plantio de árvores: nem todos consideram a atividade divertida



Juvenal Francisco, 31, camponês de Nhambita, abandonou o plantio de árvores em 2010 por considerar os serviços sem rendimento. “Parece que eu só trabalhava para eles e não via benefícios para mim”, conta Francisco, que por iniciativa própria dirigiu-se à Envirotrade para manifestar interesse de abandonar a atividade.

JUVENAL FRANCISCO, 31, CAMPONÊS DE NHAMBITA ,
ABANDONOU O PLANTIO DE ÁRVORES EM 2010
POR CONSIDERAR OS SERVIÇOS SEM RENDIMENTO
O que desmotivou Francisco a rescindir o contrato foi o fato de, a partir do quarto ano, não ter sido pago o valor anual estipulado, por supostamente não ter cuidado devidamente das plantas como a Envirotrade determinou. Juvenal Francisco considera que houve falta de satisfação de uma das obrigações com que a Envirotrade se comprometeu : a de pagar-lhe durante sete anos. “A partir do quarto ano não me pagaram mais e nunca me explicaram o porquê”, disse.

Juvenal conta que tinha plantado mais de 900 unidades de plantas madeireiras e de fruta desde 2007. Agora, dedica o seu tempo para produzir milho, batata doce, mapira e mandioca.

Este tem sido um grande conflito entre a Envirotrade e muitos camponeses. Um elevado número de “contratados” é descontado por não atingir os 85% da taxa de sobrevivência determinada no contrato. A nossa equipe de reportagem também constatou que, nos últimos três anos, tem-se verificado atrasos nos pagamentos dos serviços ambientais, devido a problemas financeiros.


Camponeses não sabem o que estão fazendo

As comunidades de Nhambita desconhecem o conceito REDD+ e, apesar de alguns camponeses saberem que plantam árvores e conservam as florestas “para vender carbono”, demonstram desconhecer o conceito e os seus mecanismos em sua profundidade.

O Gestor Nacional de Carbono dos projetos da Envirotrade, o engenheiro florestal Aristides Muhate, justifica este fato nos seguintes termos: “há diferentes níveis de informação. Não temos porque perder tempo explicando esses conceitos complicados para os camponeses”. Aristides faz a declaração baseando-se nos baixos níveis de escolarização que a maioria da população de Nhambita e arredores possui.

No entanto, isso pode ser considerado uma violação do direito à informação prévia e ao consentimento livre antes do início das atividades em sua terra. “Sabemos que o rendimento de plantar árvores vem do carbono. No fundo eu não sei mais nada sobre isso”, confessou Elias Manesa, da comunidade de Mutabamba, que mostrou não compreender o que é carbono.


O não fornecimento de toda informação sobre o negócio de carbono da Envirotrade com os recursos da comunidade coloca em xeque os níveis de transparência no processo. A fraca ou inexistente compreensão dos conceitos ligados à REDD+ e aos mercados de carbono por parte dos camponeses faz com que eles disponibilizem os seus recursos e se envolvam em um negócio sem saber as suas implicações: permitir que poluidores do norte continuem com as emissões de carbono na atmosfera, o que coloca em risco o bem estar dos mesmos camponeses, se levar em conta que essas emissões trarão impactos negativos em Moçambique, como a seca e inundações.

Uma mulher camponesa que não tem contrato pessoal com a Envirotrade, mas plantou e cuida das árvores porque seu parceiro decidiu por ambos fazê-lo, também mostra desconhecer a finalidade da atividade.“Só sei que meu marido recebe dinheiro [anualmente] por causa das árvores que plantamos. Não sei de mais detalhes”, contou. De fato, mais da metade dos contratados pela Envirotrade são do sexo masculino. Poucas mulheres detêm posse de terra em Moçambique, embora seja a camada que mais esforço empreende na atividade de produção alimentar e em outros trabalhos com a terra.

Eminente conflito social

Começam a se instalar sinais de conflitos sociais relacionados com os Pagamentos dos Serviços Ambientais (PSA) entre os membros da comunidade de Nhambita. No futuro o cenário poderá vir a piorar.

Camponeses que não estão contemplados nos PSA manifestam uma espécie de ressentimento por não receber o dinheiro da Envirotrade.

Em outros projetos REDD, em países como Indonésia, os pagamentos por serviços ambientais criam desigualdades devido à diferença na renda e isso tende a criar divisões na comunidade e a comprometer a unidade organizativa, social e cultural.


Por exemplo, o jornal francês Le Monde Diplomatique publicou recentemente um caso de expulsão de camponeses devido à implementação de REDD no México.

Jossias Jairosse é recém-chegado em Nhambita e trabalha na carpintaria comunitária na sua localidade. Quando se instalou na comunidade, a Envirotrade tinha parado com as contratações. Sente-se ressentido e inferior em relação aos demais vizinhos, uma vez que possuem uma renda anual que ele não tem nenhuma possibilidade de obter.


Território moçambicano cobiçado por outros para REDD+
Cerca de 15 milhões de hectares [19% do território nacional] estão sendo pretendidos por uma companhia de capital britânico para REDD+. Os casos de usurpação de terras relacionados com a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal poderão acrescer esta cifra se incluirmos produção de agrocombustíveis e plantações de monoculturas diversas, porque podem converter-se também em REDD+, já que inclui cultivos e solos para os bônus de carbono, e não somente florestas. Segundo o inventário florestal nacional de 2008, cerca de 70% do país (54,8 milhões de hectares) é predominantemente coberto de florestas e outras formações lenhosas. Essas áreas correm o risco de ser usadas para a captura de carbono.

Moçambique encontra-se em posição de privilégio entre os países mais “cobiçados” para a implementação dos chamados projetos de desenvolvimento, com investimento estrangeiro, na África. Por exemplo, o Banco Mundial considera Moçambique como um destino certo para projetos de REDD, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e Agricultura Industrial.

Empresas do norte têm adquirido terras em Moçambique para a produção, exportação, agrocombustíveis e, agora, REDD+. Atualmente, até os chamados países emergentes, a Índia e o Brasil (
Observação deste blog:  lamentavelmente ), estão adquirindo terras para o agronegócio e extração mineral.


Na maioria desses casos, comunidades locais, em particular camponeses e populações indígenas, são fortemente afetados e muitos dos seus direitos são violados. Para o caso do REDD+, há um eminente risco de camponeses servirem de empregados a companhias que vão usar recursos florestais e os solos locais para recorrer aos créditos de carbono internacionalmente e maximizar seus lucros, sem necessariamente contribuir para eliminar a pobreza das comunidades.

Na Uganda, 22 mil camponeses foram desalojados de suas terras por conta de um projeto de compensação de carbono florestal em 2011.



Fonte: Brasil de Fato

Li no blog: Burgos (Cão Grino)



sexta-feira, 29 de junho de 2012

0258 - Richard Lindzen: "O movimento ambiental é imoral"

RICHARD LINDZEN
Mais conhecido cético do clima, cientista diz que o problema não é o aquecimento global, mas o castastrofismo e o discurso contra o desenvolvimento


Antes um dos mais prestigiados cientistas climáticos do mundo, o americano Richard Lindzen, professor de Meteorologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), virou ovelha negra depois de "mudar de lado", como ele mesmo diz. Integrante dos primeiros relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), ele passou a criticar os modelos com previsões alarmantes sobre as consequências do aquecimento do planeta e o uso político do discurso ambiental. Para ele, não há provas de que a elevação da temperatura da Terra aumentará o número de desastres climáticos. Sua nova posição angariou numerosos detratores e acabou por prejudicar a divulgação de suas pesquisas, contou ele em entrevista ao Globo, por telefone, de seu laboratório em Cambridge, Massachusetts.

O senhor acredita que o dióxido de carbono é um gás de efeito estufa cuja concentração está aumentando e provoca um processo de aquecimento global?

RICHARD LINDZEN: Para começar, vamos deixar algumas coisas claras. É claro que o CO2 é um gás do efeito estufa, que sua concentração aumentou nos últimos 150 anos, que provoca leve aquecimento do planeta e que o homem tem influência nisso. Tudo isso nunca esteve sob questão, todos os cientistas climáticos sérios acreditam nisso. O que não está claro é se tudo isso terá as implicações alarmantes que vemos apresentadas como fatos científicos. As pessoas não veem que o argumento principal é outro, que isso está sendo usado como razão para dizer que o desastre está a caminho e temos de destruir nosso atual sistema de energia para evitá-lo. O que vemos é a extrapolação de algo que é trivial para uma alegação de que a Terra está em perigo.

Mas a ação humana não está alterando o equilíbrio da Terra?

LINDZEN: A Terra nunca está em equilíbrio. O planeta é um sistema dinâmico que está sempre mudando. Se um dia ela parar de mudar, aí sim saberemos que estamos com problemas. A questão é como estamos lidando com isso. Não há evidências de que há uma grande sensibilidade do clima ao CO2. Não há nada que comprove os modelos climáticos de que a Terra vai se aquecer muito e que isso terá consequências catastróficas.

E quanto aos dados que mostram que na última década tivemos alguns dos anos mais quentes já registrados?

LINDZEN: O que as pessoas não percebem é que os registros não mostram um aquecimento significativo nos últimos 15 anos, como deveria acontecer de acordo com as previsões dos modelos climáticos do IPCC. A temperatura média global subiu um pouco até 1995, mas desde então ela está estacionada nesse nível mais alto e não se moveu. Assim, os modelos têm que ser ajustados para refletir isso. É como um aluno fazendo uma prova já sabendo seu gabarito. Ficar ajustando constantemente os modelos para que eles se conformem à realidade não é ciência, é fraude. Além disso, os registros não são tão longos e nem tão precisos para que possamos afirmar que a Terra está mais quente do que em qualquer momento anterior da História.

Mas esse aquecimento, mesmo leve, não é preocupante?

LINDZEN: A elevação calculada da temperatura média global nos últimos 150 anos, de entre 0,7 e 0,8 grau Celsius, não é nem de longe significativa. Quanto a temperatura varia do dia para a noite no Rio de Janeiro? Aqui em Boston, essa variação supera em muito os 10 graus. Então, estamos falando de uma mudança muito pequena na temperatura média global e é uma loucura dizer que isso é o fim do mundo.

Sua crítica então é quanto ao discurso em torno das mudanças climáticas?

LINDZEN: Exato. O movimento ambientalista é imoral. Com seu discurso, estamos negando a bilhões de pessoas a possibilidade de ter acesso a energia para viver decentemente e, com a política que os ambientalistas querem implementar, elas nunca terão. É claro que todas as pessoas gostam de ter ar e água limpos, um ambiente agradável para se viver. Então, qual o significado de se ter um movimento em torno de questões em que todos concordam? Sua finalidade é empurrar uma agenda política que prevê zero de crescimento populacional, impede o desenvolvimento dos países mais pobres etc. Como podemos dizer para os países da África que eles não podem usar combustíveis fósseis para melhorar a qualidade de vida da sua população? Vamos atrapalhar o crescimento da China, da Índia ou do Brasil porque tememos sua concorrência? Em Paris, os caminhões de lixo são verdes, e os garis vestem roupas verdes. É este o tipo de emprego verde que eles querem criar?

O mundo então não deve conter as emissões de carbono?

LINDZEN: O CO2 não tem nada a ver com ar limpo. Carbono é do que eu, você, todo mundo é feito, ele não é um poluente. Ao se focarem nisso, as discussões esquecem os verdadeiros poluentes, muito mais perigosos. O CO2 é essencial para a existência da vida, para o crescimento das plantas. Como podemos chamar de poluente algo de que precisamos tanto? Mais uma vez, a questão é explorada politicamente para assustar as pessoas. Recentemente, correu nos EUA a história de abaixo-assinados que pediam o banimento de um perigoso composto químico, o monóxido de dihidrogênio. Várias pessoas assinaram sem perceber que na verdade estavam pedindo o banimento da água! Elas estavam apenas querendo se livrar de uma coisa que dizem que é um problema sem ao menos entendê-lo. É assim que o discurso do aquecimento global está sendo usado. Os ambientalistas dizem que dois e dois são quatro e logo perguntam: "O que fazer sobre isso?"


A influência humana no clima pode então ser negligenciada?

LINDZEN: Acho que provavelmente contribuímos com algo entre 0,25 e 0,5 grau Celsius do aquecimento calculado nos últimos 150 anos e devemos acrescentar mais ou menos o mesmo nos próximos 200. Minha pergunta é: quem disse que isso é um problema? Por que o aquecimento global é tratado como o fim do mundo?

Mas também não estamos vendo um aumento de eventos climáticos extremos?

LINDZEN: Na verdade, não. Eventos extremos sempre ocorrem em algum lugar do mundo todo ano. Os EUA, por exemplo, não veem um grande furacão desde o Katrina (em 2005), o que segundo os modelos alarmistas deveria ser cada vez mais frequente. Mais uma vez, não se percebe que o que alimenta as grandes tempestades é a diferença de temperatura entre os trópicos e os polos e que, com o aquecimento global, essa diferença tende a diminuir. Com isso, teremos menos e não mais tempestades severas. Mas esse discurso não assusta ninguém, enquanto dizer o contrário parece excitante.

Novamente, é um uso político do discurso ambiental?

LINDZEN: Sim. Pode-se usar mal a linguagem, o que é um erro, ou dizer o oposto da verdade, o que é uma mentira deslavada. Temos um mundo que está progredindo, mas achamos uma vergonha o que estamos fazendo. Isso sim que é insano e extremo. O aquecimento global em si não é perigoso, mas as políticas que estão sendo propostas para combatê-lo é que certamente são perigosas. Elas vão manter as pessoas pobres e sem acesso à energia barata. E, mesmo que se acredite nas previsões catastróficas, as políticas propostas não terão efeito nenhum. Para realmente fazer alguma diferença, seria necessário reduzir em 60% a 70% as emissões de gases-estufa, o que para os EUA e a Europa significaria voltar para o início do século XX, enquanto para Brasil, Índia ou China seria parar totalmente de crescer. Precisamos esquecer o clima e nos focar nos problemas reais da Humanidade, como eliminar a malária ou garantir o acesso de todos à água limpa. Tudo isso custaria muito pouco e pode ter um grande efeito na qualidade de vida das pessoas. Combater as mudanças climáticas está tirando recursos que seriam mais bem usados em outras questões mais importantes.



quarta-feira, 27 de junho de 2012

0256 - "Besteirol" Verde Exposto: James Lovelock, o padrinho do Aquecimento Global reduz o boom sobre a histeria das mudanças climáticas

JAMES LOVELOCK
Por Lorrie Goldstein,Toronto Sun
23 de junho de 2012
(Tradução: Maurício Porto)


Dois meses atrás, James Lovelock, o padrinho do aquecimento global, deu uma entrevista surpreendente (msnbc.com) em que reconheceu que tinha sido indevidamente "alarmista" sobre a mudança climática.

As implicações foram extraordinárias.

Lovelock é um cientista de renome mundial e ambientalista cuja teoria Gaia - que a Terra funciona como um organismo único e vivo - teve um impacto profundo sobre o desenvolvimento da teoria do aquecimento global. 
Ao contrário de muitos "ambientalistas", que têm licenciaturas em ciências políticas, Lovelock, até sua recente aposentadoria aos 92 anos, era um cientista e acadêmico muito atuante e respeitado.

Suas invenções foram usadas ​​pela NASA, entre muitas outras organizações científicas.

A invenção de Lovelock do detector de captura de elétrons em 1957 foi a primeira que permitiu aos cientistas medir CFCs (clorofluorcarbonos) e outros poluentes na atmosfera, levando, em muitos aspectos, para o nascimento do movimento ambientalista moderno.

Tendo observado que as temperaturas globais desde a virada do milênio não aumentaram da maneira como os modelos climáticos baseados em computador haviam previsto, Lovelock admitiu, "o problema é que não sabemos o que o clima está fazendo. Nós pensávamos que sabíamos há 20 anos". Agora, Lovelock deu uma entrevista para o jornal britânico Guardian, na qual ele lançou novas bombas que enraiveceram o movimento verde global, que durante anos adorou a sua teoria de Gaia e previsões apocalípticas que bilhões morreriam em consequência das mudanças climáticas causadas pelo homem até o final deste século.

Lovelock ainda acredita que o aquecimento global antropogênico está ocorrendo e que a humanidade deve reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, mas diz que agora está claro que as previsões apocalípticas, incluindo a sua própria (e de Al Gore) estavam incorretas.

Ele responde aos ataques a seus pontos de vista revistos, observando que, ao contrário de muitos cientistas que temem uma perda de financiamento do governo se admitirem o erro, como cientista independente, ele nunca teve medo de rever as suas teorias em face de novas evidências. De fato, é como a ciência avança.

Entre suas observações para o Guardian:

(1) Um defensor de longa data da energia nuclear como uma maneira de diminuir as emissões de gases de efeito estufa, o que o tornou impopular com os ambientalistas, Lovelock tornou-se favorável ao fracking - nome dado ao processo de fraturamento hidráulico para liberar o gás natural contido nos depósitos de xisto (ao qual os ambientalistas também se opõem) - como uma alternativa ao carvão menos poluente.


Como Lovelock observa, "O gás é quase um "milagre" nos EUA neste momento. Eles foram para o fracking com toda força. Isto é o que me deixa muito aborrecido com os verdes por tentar derrubá-lo ... Vamos ser pragmáticos e sensatos e convencer a Grã-Bretanha para mudar tudo para o metano. Deveríamos estar ficando felizes com isso". (Kandeh Yumkella, co-diretor de um grande programa das Nações Unidas sobre a energia sustentável, apresentou argumentos semelhantes na semana passada na conferência ambiental da ONU no Rio de Janeiro (Rio+20), defendendo o desenvolvimento de recursos de gás natural convencionais e não convencionais, como forma de reduzir o desmatamento e salvar milhões de vidas no Terceiro Mundo.)



(2) Lovelock criticou os verdes por tratar o aquecimento global como uma religião.

"O que acontece é que a religião verde está agora tomando o lugar da religião cristã", Lovelock observou. "Eu não acho que as pessoas estão percebendo isso, mas ela tem toda a sorte de termos que as religiões usam ... Os verdes usam a culpa. Isso só mostra como os verdes são religiosos. Você não pode convencer as pessoas dizendo que elas são culpados por colocar dióxido de carbono no ar".



(3) Lovelock zomba da ideia de que as economias modernas podem ser alimentadas por turbinas eólicas.

Como ele coloca, "o chamado" desenvolvimento sustentável "... é bobagem sem sentido ... Corremos para energia renovável sem pensar. Os esquemas são em grande parte desesperadamente ineficientes e desagradáveis. 

Eu, pessoalmente, não suporto moinhos de vento a qualquer preço. "

(4) Finalmente, sobre as reivindicações de que "a ciência está firmada" sobre o aquecimento global: "Uma coisa que ser um cientista me ensinou é que você nunca pode estar certo sobre qualquer questão. Você nunca sabe a verdade. Você só pode se aproximar dela e esperar chegar um pouco mais perto de cada vez. Você busca incessantemente a verdade. Você não a conhece".


Fonte: Toronto Sun